Na boa. Comecei o raciocínio deste artigo pensando: “Planejadores não precisam prêmios como o Caboré”. Acho que precisam sim de Cannes (principalmente Titanium and Integrated) e muitos outros, mas do Caboré acho que não tem nada a ver. Porquê? Mais ou menos na mesma linha que o Walter Susini pregou no Papo de Boteco e, conseqüentemente, na sua coluna do Meio & Mensagem. Ele dizia que “o palco é dos criativos, e nós planejadores temos que parar com essa modinha(mania recente) de sermos as estrelas da propaganda”. Concordo com ele também, quando diz que somos os “diretores atrás do palco, e não os artistas em cena”. E assim, tudo me levava a não comprar a idéia de ter um Caboré de Planejamento.

Mas, resolvi ver um outro lado da história. Porque surgiu esse prêmio ano passado? 1) Porque o planejamento cada vez mais ganha forma e cultura nas agências 2) Porque temos no mercado um brilhante Grupo de Planejamento, que é muito responsável por todo esse “boom” da atividade e categoria. Grupo o qual, entre mil iniciativas, pleiteou também por seu lugar ao sol no Oscar da Propaganda.

Bom, mas eu ainda não estava convencido que deveria ter este prêmio para nossos colegas de planejamento, quando me veio a idéia de olhar os candidatos deste ano. Aí tudo mudou de figura.
Não conheço a Ana Paula Cortat, mas vendo os nomes de Beth Furtado e do Uli Zamboni, caiu a ficha do quanto esse prêmio pode ser importante não para eles, mas para todos nós planners.

Tive alguns contatos com o Uli durante o Bootcamp e tento acompanhar de perto o trabalho da sua agência que é referência atualmente para planejadores de todo país. É uma pessoa brilhante, com uma cabeça ótima e dedicação total a fazer a diferença em trabalhos cada vez mais relevantes. Acho que o Uli representa bem essa mudança do antigo planejamento para um planejamento integrado, criativo, 360 ou como quiserem chamar. É um profissional de vanguarda e admirado por todos, inclusive seus funcionários (fonte confiável).

Conheci a Beth recentemente quando ela nos deu a honra de uma visita em um encontro da confraria United Planners. É uma empreendedora e rebelde assumida, que questiona tudo e não se contenta com o básico. Tem sido um dos motores da agência nas recentes conquistas e com certeza é uma fonte de inspiração para muitos planejadores. Li seu livro “Desejos Contemporâneos” (que alias to devendo fazer um post só sobre ele) e apaixonei pelo seu pensamento. De fato! Incrível.

Bom, a Ana Paula infelizmente não sei, mas para estar no mesmo patamar destas 2 feras do planejamento, com certeza ela tem o seu talento e deve estar produzindo em altíssimo nível também.

Mas porquê essa babação de ovo? Simples. Não porque acho que eles vão adorar receber um elogio a mais ou menos, pois devem escutar isso toda hora por ai. Mas descrevi a percepção que tenho desses profissionais, como uma forma de validar o que eu suponha que deva ser a relação de cada um desses indicados com esse prêmio. Embora todos tenham suas vaidades, acredito que o prêmio será recebido como uma vitória do coletivo, da agência, da equipe de planejamento, do mundo de planejamento. E só então, projetando uma vitória do Uli, da Beth ou da Ana Paula, que entendi que um prêmio tão pessoal desses, traz benefícios coletivos para todos os profissionais que acreditam numa filosofia de trabalho, num processo de estudo e estratégia e numa cultura de planejamento. É um prêmio nosso, que dá cada vez mais perspectiva para nossa razão de existir: sermos planejadores de atitude.

Eu não vou abrir meu voto, mas acho que todos já ganharam.