Não faltaram posts em blogs, notícias nos jornais, nas rádios e na televisão comentando e analisando a vitória de Barack Obama, o primeiro presidente negro da história dos Estados Unidos - e, podem esperar, porque no fim de semana vai ter mais quando as revistas semanais chegarem.

Só se falou nisso nos últimos dias, e não é pra menos; afinal, Barack Obama abre um novo capítulo na história americana e, quem sabe (?), na história do mundo.

A chegada de Obama à Casa Branca pode ser analisada sob diversos prismas, mas o que eu mais tenho visto, principalmente na blogosfera, são posts sobre a importância que a internet teve no desenrolar da campanha - o Brainstorm9, do Carlos Merigo, fala um pouco mais sobre isso e acho que vale a pena passar lá para conferir.

Como Obama disse em seu primeiro discurso após ser eleito, é ‘a melhor campanha política, penso, da história dos EUA’ - a campanha de Barack Obama ganhou o prêmio de Marketing do ano da AdAge - e acho que, se não foi a melhor, está entre as melhores, definitivamente. É inegável o papel da internet em todo o processo, mas não podemos nos esquecer no ícone pop em que se transformou o novo presidente dos EUA nos últimos meses. E, me desculpem, não foi só graças a internet.

Em um mundo cada vez mais interconectado como o nosso, não podemos nos esquecer que as pessoas, principalmente os mais jovens, fazem cada vez mais coisas ao mesmo tempo. E foi justamente com este público que Barack Obama conseguiu estabelecer um dos seus melhores diálogos. E com certeza isso aconteceu por meio da internet.

Mas não nos esqueçamos que, de novo, para esta garotada não existe o futuro, só o agora; eles querem saber de tudo. E a equipe que coordenou a campanha de Obama, sabendo muito bem disso, se apropriou de blogs, lançou aplicativos para iPhone, negociou espaços em um game do Xbox Live, fez acordo com um grande grafiteiro, mas quando foi preciso, também desembolsou milhões em comerciais e no infomercial que foi veiculado simultaneamente em cinco canais de televisão.

A coordenação da campanha implementou de verdade o famoso (e batido) 360, que tanto falamos, mas vemos tão poucas marcas fazer. É a compreensão de que todos os meios tem a sua importância na construção da mensagem e que cada um deles desempenha um determinado papel. Não se trata de uma campanha de internet, de televisão ou de rua, pelo contrário. É a integração dos meios no sentido mais amplo possível e cada um deles atuando também como a mensagem. Não é a toa que o candidato obteve arrecadação recorde, sendo que praticamente metade dela veio de doações individuais que doaram $300 ou até menos para o até então candidato.

Barack Obama, além de ser um líder nato, com grande capacidade de persuasão e de unir as pessoas em torno de um pensamento, tem uma história singular, uma formação muito sólida, uma oratória de dar inveja a comunicadores de primeiro escalão e também conseguiu concentrar em sua campanha elementos fortes que poucas marcas ao redor do mundo podem se orgulhar de ter.

Agora é esperar pra ver se a ‘Change’ que o candidato tanto prometeu será implementada, afinal, as grandes marcas não apenas estabelecem um grande vínculo emocional com as pessoas, mas também entregam aquilo que prometem e comunicam…

Obama entrou para o rol de marcas (sim, isso mesmo, marcas) que vamos ver nas próximas apresentações de professores e palestrantes e que faz alguns pensarem ‘Ah, mas é o Barack Obama, né? Aí fica fácil’, assim como muitos de nós fazemos como vemos grandes cases de Nike, Apple, Coca-Cola etc.

O que também coloca Barack Obama ao lado dessas marcas é a consistência e persistência. Ele não chegou agora em 2008, ele não fez um ‘viralzinho’ de internet e saiu de cena, ele não fez um site bonitinho e depois de um tempo o deixou de lado ou o repaginou para uma nova campanha, ou um novo posicionamento. Milhares de seguidores no Twitter e uma comunidade no Facebook com mais de 2 milhões de membros não vem assim, da noite pro dia.

Obama e sua equipe construíram relevância com diferentes públicos através de consistência, persistência e uma mensagem muito simples, que foi de encontro ao que o povo americano queria. Parece óbvio, simples, mas vai contar nos dedos quantas marcas conseguem fazer isso de fato. =)