28 Oct
Assisti, na semana passada, à exibição do documentário Breakonsumers (veja o post anterior aqui).
Criado pela Limo Inc como forma de apresentar seu trabalho o documentário é resultado de uma grande pesquisa realizada nas principais capitais brasileiras.
A idéia por trás da pesquisa está em não apenas mapear classes e hábitos de consumo, mas em dar voz à estas classes (especialmente à classe C), traduzindo números em personagens, resultados em insights.
Através de uma série de depoimentos emocionantes, divertidos, contraditórios e muitas vezes surpreendentes, o documentário nos apresenta quais as atuais preocupações e ambições da Classe C e como ela é percebida (de maneira muitas vezes errônea) pelas classes sociais mais altas.
O documentário define ainda três diferentes perfis dentro desta classe:
- os estáveis - aqueles que estão satisfeitos com o status quo, que estão bem onde estão e se o mundo acabar basta um barranco para que possam encostar (essa última parte é minha);
- os emergentes - de certo modo o oposto da classe anterior. Estão insatisfeitos com a situação atual, almejam mais e procuram se distanciar de tudo que os associe às classes mais baixas. Já foram maioria dentro da classe, mas pouco a pouco perdem sua força e expressividade;
- os engajados - são aqueles que buscam se diferenciar através do acesso que têm hoje. Que buscam a transformação através do aprendizado, que têm ciência de suas reais capacidades e possibilidades e que hoje transitam muito mais livremente entre as diferentes classes sociais.
Alguns dos pontos que merecem destaque e que até abro aqui pra quem se interessar levar pra discussão nos comments:
- uma das linhas condutoras do documentário está na “mobilidade” - hoje a classe C consegue transitar entre classes sociais distintas e os lugares que estas classes frequentam - é emblemático o depoimento da engajada que cursou Anhembi-Morumbi e que sentiu o impacto do seu novo círculo de amizades frente ao atual, mas que continuou sendo bem-aceita em ambos.
- o “acesso” - ao celular, à informação, à linhas de crédito, às boas marcas e produtos que miram classes mais altas. Ou, como diz uma emergente: “Eu hoje uso avião pra tudo. Até pra Bauru eu vou de avião.”
- a “conquista” - com o acesso garantido a luta está agora por informação e oportunidade. A classe C está aí, e está disposta a mudar. Com uma formação muito melhor a que tinham anteriormente, somada à ambição e à motivação, estão prontos a conquistar um novo espaço, vindo pra brigar. Como bem lembrou uma mãe, classe B: “Eu sei que meus filhos vão, num futuro próximo, disputar vagas no mercado com esse pessoal que vem aí, ambicioso e que já tá ralando muito”.
Como finalizou a Laura Chiavone, hoje a classe C quer muito mais do que acesso. Isso eles já têm. O que eles querem é saber o que fazer com o que já têm. Querem informação. Não querem mais TER, querem é SER.
E aí?!
Como podemos nos posicionar frente a esta nova realidade?
21 Oct
17 Sep
Vamos lá.
Antes de mais nada, que fique claro que eu acho que não existe fórmula para as coisas, tudo é relativo, já dizia o gênio.
Mas, a brincadeira com os formulismos é para que caia a ficha que propaganda e marketing são uma ciência. (tá no diploma!)
Ia explicar a Fórmula da Satisfação com um exemplo mega-super descolado, mas mais uma vez a experiência simples se encaixa melhor.
Estava eu na melhor cidade do mundo, Porto Alegre, e fui matar a saudade de um restaurante de Parrilla Argentina.
Pedi para a garçonete um “Assado de Tira”, também a melhor carne do mundo, e para minha surpresa, ela disse:
- Señor, lo asado de tira esta mucho gordo hoy.
Caiu meu mundo. E os próximos 10 segundos pareceram uma eternidade.
Peço? Não peço? To com vontade! Quando vou voltar para Porto Alegre?
Pedi.
Fiquei imaginando que tinha feito uma cagada, que viria um monte de gordura com uma mísera carne e etc.
E veio o prato. Aparentemente, e embora gordo, estava lindo.
Provei. E realmente estava muito gostoso. E tinha carne. Meio carne. Meio gordura.
Fiquei feliz. Satisfeito.
E essa é a Fórmula da Satisfação.
Satisfação (S) = Resultado (R) – Expectativa (E)
Se ela não me avisasse, eu esperaria 100% carne, e ficaria triste com aquele monte de gordura.
Como ela jogou a expectativa lá em baixo, adorei.
Mas cuidado! O segredo não é jogar a expectativa em baixo, e sim dar um baita resultado, mesmo com expectativas altas.
Que venham as próximas fórmulas. Louvado seja o assado de tira.
31 Aug
Essa é engraçada. Estava eu fazendo meu giro boêmio de sábado, para esquecer os estresses e problemas da vida publicitária, quando ao sair de um barzinho fui surpreendido com um case de marketing de rua.
Afinal, marketing acontece é na rua e não nos nossos escritórios descolados.
Incrivelmente, uma menina ao pedir seu carro, o manobrista lhe deu uma aula de como ir para casa.
E não que ela estivesse perdida. Eram os caminhos do álcool.
Fantástico. As ruas que ela poderia pegar sem blitz da polícia com seus bafômetros destruidores.
Sim amigos. É a reinvenção do serviço mais default do mundo. Os manobristas se reinventam e tornam a presença deles muito maior do que o conforto de largar o carro na porta da balada.
Achei sensacional. Quero sempre um manobrista me dizendo onde está a polícia.
E olha que o pessoal não tinha bebido quase nada. Magina o cara que está mal ?
Conclusão. Tudo pode ser melhorado. Todo serviço sem sentido pode fazer sentido. Basta um bom manobrista, ou então um marketeiro mesmo.