18 Feb
Tema complicado e principalmente controverso, principalmente quando vem à tona numa roda de publicitários e pessoas envolvidas com Comunicação, a Publicidade Infantil foi pauta do nosso último encontro com a exibição do documentário “Criança, a Alma do Negócio” (mais aqui).
Considerado tendencioso pela maioria ao apontar a publicidade como a grande vilã da história (o que é a intenção da autora, diga-se de passagem), ao meu ver o documentário também levanta alguns pontos importantíssimos que, infelizmente, não são aprofundados (ou não puderam ser, para manter a duração inferior aos 60 min.).
É clara a responsabilidade e culpa daqueles pais ausentes e omissos que esperam que a TV e bons presentes ocupem os espaços por eles deixados, como também é clara a culpa de campanhas e marcas que alimentam e exploram o desejo infantil.
Claro que nesses casos é muito fácil falar “Ora, que desliguem as TVs!”.
Mas existe um perfil de público que é vítima desta armadilha e que pouco pode fazer para dela escapar.
Pessoas que diariamente são obrigadas a deixarem suas crianças sob os olhos da televisão por falta de alternativa. Por falta de creches. Por falta de segurança.
Porque não têm empregadas, porteiros ou babás, afinal são elas que os são.
Pessoas que são obrigadas a dizer “não” para seus filhos, não por educação, ou por castigo. Mas por sobrevivência.
E a conseqüência direta desta negação é a insatisfação.
E depois dela vem a frustração e a revolta.
Mesmo que não possamos apontar “o” culpado, acho que já está na hora de fazermos a nossa parte.
Afinal, para estes últimos, a regulamentação da publicidade infantil já seria um ótimo começo.